quinta-feira, 28 de abril de 2011

Será que os cegos são diferentes de nós?

            Todos os dias passamos por alguém com um certo tipo de deficiência, motora, auditiva, mental, visual, e pensamos, mesmo que inconscientemente e sem intenção de ofender, pelo menos a maioria de nós, que é um “coitado”, pois não pode exercer tal função.
Porém esse pensamento é completamente errado, não é um “pobrezinho”, mas sim uma pessoa portadora de uma deficiência, que pode não conseguir executar determinada tarefa, conseguindo outra, que nós, que o inferiorizamos, ainda que involuntariamente, somos incapazes de praticar. Isto acontece em todos os seres humanos, somos todos diferentes, ninguém tem as mesmas capacidades, portanto, logo aqui, não podemos criar uma barreira entre cego e “pessoa que consegue ver”.
Do inglês vem a expressão “what doesn’t kill you makes you stronger” (o que não te mata, torna-te mais forte). A cegueira não mata, somente permite ter uma percepção do mundo diferente, através de outros sentidos. É claro que não é um processo de adaptação fácil e rápido, todavia acreditamos que não é o fim, é possível continuar a viver depois da cegueira.
O ser humano é uma espécie que teve de lutar para ganhar o seu papel no mundo, teve de ultrapassar incontáveis adversidades, a fim de se tornar o que é hoje. Assim como todos nós, cada dia que passa temos de enfrentar algo que circula numa corrente contrária à nossa. O mesmo se passa com pessoas portadoras de deficiência visual, todas as horas, todos os minutos lidam com a cegueira, enfrentam a maré. Mais uma vez, não pode haver distinção entre cego e o outro, somos todos seres humanos. E é próprio da nossa espécie enfrentar as guerras do dia-a-dia.
Lidamos com problemas na economia, falta de emprego, IVA, etc., são problemas que nos afectam a todos, sem excepção. Nem estas dificuldades fazem distinção entre pessoas portadoras de deficiências e o resto da população, então porque é que nós, seres humanos o fazemos?
Nem mesmo em termos de mobilidade pode existir uma grande linha de separação. É um facto que não podem conduzir um veículo, contudo andar na rua de forma independente, nos transportes públicos é possível, com algum trabalho e hábito.
Em suma, defendemos que cegos e “pessoas que vêem” não são diferentes. Somos todos seres humanos, com capacidades e defeitos em diversos aspectos, não havendo razão para se separar em “uns” e “outros”, constituem todos um “nós”.

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