Desportos


Por isso, decidimos criar uma página com os desportos praticados por pessoas com deficiência visual, de forma, a mais uma vez, mostrar a sua capacidade de ultrapassar dificuldades, a sua independência e que apesar de necessitarem de ajuda até certo ponto, conseguem realizar tudo a que se propõem.


ANDDVIS
Existe em Portugal a ANDDVIS (Associação Nacional de Desportos para Deficientes Visuais), esta trabalha sem fins lucrativos em função da actividade desportiva das pessoas com deficiências visuais.
A ANDDVIS representa todos os clubes desportivos, em que integrem praticantes desportivos com deficiência visual, que nesta associação estão filiados, assim como praticantes desportivos a nível individual.
As modalidades desportivas apoiadas pela ANDDVIS são a natação, o atletismo e o goalball. A associação tem a capacidade de levar os praticantes destas modalidades a nível internacional, tendo assim um impacto positivo no que diz respeito à prática desportiva de deficientes visuais. A associação tem por objectivo principal fomentar, promover e desenvolver o desporto para deficientes visuais em Portugal. Esta associação possui um curso de formação de arbitragem no goalball, que permite formar árbitros que tornam possível a prática desta modalidade.
Na nossa opinião achamos de extrema importância a existência desta associação em Portugal, visto que impulsiona a actividade física com vista a pessoas com deficiência visual constituindo, desta forma um importante apoio para as mesmas.


Natação



A natação tem sido de grande importância para o desenvolvimento, em global, das pessoas com de  deficiência visual. Isto, na medida em que pode ser praticada em qualquer idade e condição física, trazendo assim benefícios que influenciarão as suas actividades diárias, favorecendo e facilitando a inserção social dessas pessoas.
Em especial, a prática de natação como actividade motora para as pessoas cegas é altamente recomendável, pois este é um desporto que possibilita a independência e a autonomia ao seu praticante, mas também trás benefícios ligados à qualidade de vida deste.
O que faz deste desporto importante? É um dos mais adequados, visto que tem as suas próprias características como regras, várias formas de aprendizagem, um treino específico. É, ainda, um dos poucos desportos em que são exercitados praticamente todos os músculos do nosso corpo, e possibilita a integração destas pessoas num âmbito competitivo.

Regras gerais

Poucas regras deste desporto foram adaptadas para a prática de pessoas com deficiência visual. Estas têm ainda como base as normas da FINA (Federação Internacional de Natação Amadora) e estilos das provas disputadas são os mesmos: livre, costas, mariposa e bruços, apenas ocorre a divisão por categorias de classificação oftalmológica (categoria B1, B2 e B3).

O nado

Como a intenção é de executar todos os nados tal como são descritos pela FINA, os deficientes visuais requerem algumas considerações devido à sua limitação da visão.

Partidas

As partidas nos estilos livre, bruços e mariposa podem ser efectuadas da plataforma de saída, ao lado da plataforma ou na água, dentro de água, o estilo de costas apenas pode ser efectuada dentro de água. Um “batedor” auxiliará o nadador na plataforma de partida, e poderá passar verbalmente informações que sejam necessárias para visualizar uma imagem semelhante à que teria uma pessoa com visão normal. Um nadador que efectuar a partida de dentro de água deverá ter uma mão em contacto com a borda da piscina, até que seja dada a partida para o inicio da prova. Para que as partidas sejam efectuadas com sucesso é necessário um total silêncio nesta altura.

Viragens

Um dos métodos utilizado para indicar ao nadador que se aproxima do fim da piscina é a chamada “batida”.
A batida é um método de indicar ao nadador que ele está se a aproximar do fim da piscina. O “batedor” toca levemente no nadador com o auxílio de um bastão. Sugere-se uma vara com ponta de espuma firme. Já que o batedor funciona como os olhos do nadador, eles devem actuar como uma equipa. Embora não se permita que o batedor oriente o nadador, tolera-se que ele forneça instruções informativas.
Para a segurança do nadador, o cronometrista ou juízes não deverão interferir no processo de “tocar” os atletas. Para nadadores B1, exige-se dois batedores, um para cada extremo da piscina.
Nas viragens, ou no término da prova, um batedor ou aparelho electrónico autorizado, devem avisar o competidor que está se aproximando do fim da piscina. Esse método deverá estar à escolha do nadador. Enquanto o processo é obrigatório para os nadadores B1, também é permitido para os B2 e B3. Não será consentida qualquer forma de instrução verbal pelo batedor, uma vez solicitado pelo árbitro o posicionamento dos atletas para a largada. Excepção é feita a essa instrução verbal somente quando houver uma falsa partida. O batedor, então, poderá dar informações de direcção ao nadador. No caso de utilização de aparelho electrónico para esse fim, ele não deverá atrapalhar o desempenho de outros atletas durante a prova.
Se um nadador cego inadvertidamente passar para uma raia diferente da sua, depois da partida ou da viragem, e essa não estiver ocupada, permitir-se-á que ele cumpra a prova naquela raia. Se for necessário retornar à raia original, o batedor poderá dar instruções verbais, mas somente depois de assegurar-se da identidade do nadador (nome), a fim de evitar uma distracção ou interferência em um outro nadador.
Não se permite nenhuma comunicação verbal ou orientação técnica do batedor a prova tenha se iniciado (aplaudir, indicar lugar etc.).






Goallball


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O goalball é uma modalidade desportiva desenvolvida especificamente para pessoas com deficiência visual. É baseado nas percepções auditivas e tácteis, bem como a percepção do espaço.

 

Origem



Este desporto tem as suas origens na Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, criado pelo alemão Hanz Lorenzer e pelo austríaco Sett Reindle. O objectivo da sua criação foi para a reabilitação de veteranos de guerra com deficiência visual através da prática desportiva. A modalidade fez a sua primeira aparição em 1972, trinta anos após a sua criação, nos Jogos Paraolímpicos de Heidelberg, na Alemanha, embora apenas com evento de exibição. Foi incorporado no programa desportivo dos Jogos Paraolípicos em 1976, apenas na modalidade masculina. A modalidade feminina apareceu em 1984 durante os Jogos Paraolípicos de Nova Iorque.

Conceito base


Cada equipa é constituída por três jogadores, que lançam uma bola oca com guizos para produzir som junto ao piso tentando assim marcar na baliza da equipa adversária. Este defende deitando-se no chão, tentado impedir que a bola deslize até à baliza. De seguida a equipa que estava a defender passa a atacar. Vence a equipa que marcar mais golos.

 

Regras básicas


Cada equipa é constituída por três elementos em jogo e até três substitutos. São permitidas fazer três substituições por jogo embora as substituições realizadas durante o intervalo não são contabilizadas. Quando os jogadores entram no campo devem estar devidamente vendados de modo a não haver desigualdade em termos de acuidade visual.
Cada partida dura dois tempos de dez minutos com um intervalo de três minutos entre eles.
A área de jogo tem um formato rectangular com 18m de comprimento e 9 m de largura com uma baliza sobre cada linha de fundo medindo 9m de largura e 1.30m de altura. Cada metade do campo é depois dividida em três áreas: área neutra, área de ataque ou lançamento e área de defesa.
A área neutra é o espaço que separa as áreas destinadas para atacar e defender, não se pode defender nem atacar dentro desta área. A área de ataque limita a ofensiva das equipas. A área de defesa limita das equipas. Apenas se pode efectuar defesa nesta área.

No goalball as penalidades podem ser individuais ou colectivas. Em ambos os casos apenas um jogador pode defender a penalidade. No caso de penalidades individuais, defende o jogador que a cometeu. Estas são, por exemplo, a defesa fora da área de defesa ou um jogador laçar a bola três vezes consecutivas. No caso de colectivas defende o último jogador que lançou a bola antes da penalidade. Estas são, por exemplo, manter a posse da bola durante dez segundos após a sua defesa ou o atraso do inicio do jogo ou do seu recomeço.
Para além de arbitrar o jogo, os árbitros também têm como função “narrar” a partida, isto é, dar informação do que está a acontecer aos jogadores de modo a facilitar o entendimento do jogo pelos jogadores. A equipa de arbitragem é constituída por onze elementos: dois árbitros principais, que orientam a dinâmica do jogo, quatro juízes de linha, responsáveis pela reposição da bola e por cinco juízes que se ocupam pela cronometragem do jogo, marcação dos lançamentos, substituições, penalidades, etc.



Campo de Goalball


Atletismo


Corridas,alteta acompanhado por guia

O atletismo é o desporto mais praticado pelos países associados com a Federação Internacional de Desportos para Cegos (IBSA). O atletismo para pessoas com deficiências visuais é constituído por todas as provas da modalidade, com excepção do salto à vara, lançamento do martelo e corridas com obstáculos.
As provas são divididas por grau de deficiência visual (B1, B2 e B3), sendo as regras adaptadas para os atletas de grau B1 e B2 diferentes das regras regulares. Para estes, o uso de sinais sonoros e guia, que corre junto do atleta para o orientar, é permitido. Guia e atleta estão unidos por uma corda presa às suas mãos, devendo o atleta estar sempre à frente. Os desportistas de grau B3 seguem as mesmas regras das provas de atletismo convencional.

Corridas

Nas provas de corrida nas classes B1 e B2, os atletas precisam de utilizar óculos escuros ou vendas em todas as provas e são realizadas juntamente de um atleta-guia.

Salto

As provas de salto em comprimento e de triplo salto têm com principal diferença a utilização de uma zona de impulsão com 1.22m de largura e 1m de comprimento. A distância do salto é medida a partir do ponto de salto na área de impulsão ou caso o salto tenha ocorrido antes da zona de impulsão será feita a medida na tábua convencional. Em ambas as provas, os atletas B1 podem utilizar dois guias, sendo um responsável pelo posicionamento na pista de corrida e o outro guia é responsável pela orientação do atleta na pista. Os guias não podem estar posicionados na zona de aterragem nem deixar marcas na areia entre o ponto de queda do atleta e a tábua de impulsão. Os guias podem dar assistência auditiva ou táctil ao atleta. Os atletas B2 só podem utilizar um guia.



Lançamento

Nas provas de lançamento, as regras são as mesmas para ambos os atletas B1 e B2. O guia pode dar orientações sonoras e tácteis ao atleta. O guia posiciona o atleta na área de lançamento e sai, esperando num local seguro, sendo possível dar orientação sonora ao atleta. Este volta, após o lançamento para conduzir o atleta, embora deveram sair pela área por trás da zona de lançamento, caso contrário será apontada infracção.


Judo Paraolímpico


Judo Paraolímpico


                O Judo Paraolímpico é uma modalidade exclusiva a deficientes visuais. Utilizam as mesmas regras que o judo convencional com algumas diferenças:
  • Cada luta começa com os judocas já com pega estabelecida;
  • A luta é interrompida quando perdem contacto total um com o outro;
  •  Os judocas não são punidos quando saem da área de luta ;
  • Atletas totalmente cegos são identificados com círculos vermelhos nas mangas do quimono.
                Os judocas são divididos em três classes: B1, B2, B3.
Na classe B1 estão colocados os deficientes visuais que não têm nenhuma percepção luminosa em ambos os olhos até aos que tem percepção luminosa, mas não são capazes de reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância.
Em B2 estão os que conseguem reconhecer a forma de uma mão até à acuidade visual de 2/60. Os judocas desta classe já têm a noção de vultos.
Na classe B3 estão os que têm acuidade visual de 2/60 a 6/60, ou seja, já conseguem percepcionar imagens.







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